20 °c
Nilopolis

Volta de Lula acelerou campanha eleitoral, analisa cientista político sobre ‘motociata’ de Bolsonaro

Especialista acredita que 2021 já começou com uma corrida pela presidência

Presidente Jair Bolsonaro participou de “Motociata ” que saiu do Parque Olimpico na Barra com destino ao Monumento dos Pracinhas no Aterro do Flamengo.Daniel Castelo Branco

Rio – O presidente Jair Bolsonaro participou neste domingo (23) de um passeio de moto com apoiadores, que registrou diversos pontos de aglomeração na cidade do Rio. Sem máscara de proteção contra a covid-19, ele discursou para o grupo e fez ataques a governantes que determinaram lockdown para conter a disseminação do novo coronavírus.

Especialistas em saúde ouvidos pelo DIA criticaram o comportamento do presidente e chegaram a chamar o episódio de ‘absurdo’, ‘desrespeito’ e ‘retrocesso’, além de demonstrarem preocupação com o avanço da doença e a chegada de uma próxima onda. O cientista político Paulo Baía entende o ato como a antecipação da campanha eleitoral para a reeleição no próximo ano.

Segundo ele, o ano de 2021 já começou com uma campanha para a presidência em 2022 e a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que anulou todas as condenações do ex-presidente Lula, o tornando elegível, acelerou a corrida pelo cargo.

“A volta de Lula à eleição precipitou uma série de movimentos dos apoiadores de Bolsonaro e de Jair Bolsonaro para acelerar sua campanha e manter um grupo fiel às suas ideias. A ideia de intervenção militar, campanha contra a pandemia, contra a máscara, contra a vacinação, é um discurso para manter fidelizado 25% dos eleitores brasileiros e ao mesmo tempo acenar para o aumento desses eleitores, até a possibilidade de chegar ao segundo turno, e uma nova vitória, semelhante a de 2018”, explica o cientista político.

Baía diz ainda que a chamada ‘motociata’ pode ser considerada “um sucesso do ponto de vista do marketing eleitoral e político”, porque representa a fidelização de uma parcela da população brasileira adepta ao discurso de Bolsonaro. Para ele, ainda que a atitude do presidente seja vista como “um contrassenso, um absurdo, um atentado à democracia” por parte da sociedade, pelo menos um quarto dela é fiel a essas ideias.

“Esse discurso, é o discurso que Bolsonaro faz desde 1992, quando foi candidato pela primeira vez a vereador. Ele não muda esse discurso e ele tem lastro social para fazer esse discurso. Por isso, eu vejo a manifestação de hoje como uma grande manifestação sendo feita no Rio de Janeiro, por isso tem um simbolismo nacional de aceleração da campanha eleitoral, com a mesma pauta de 2018 por Jair Bolsonaro e seus adeptos”, continuou.

Alvo da CPI da covid-19, o ex-ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, também participou do ato. Vice-presidente da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que irá pedir mais informações ao Governo do Estado e à Prefeitura do Rio sobre a ‘motociata’ deste domingo.

Próximo Post