Testemunhas da história

“Caraca é a Xuxa!”

“Que Xuxa o que, tá maluca? A Xuxa vai se vacinar lá no posto do Espaço Hall, que é perto da casa dela.”

Foi assim que Gabriel Rosa, técnico de enfermagem de 22 anos, respondeu à sua parceira antes de dar de cara com a Rainha dos Baixinhos semana passada, na quadra da Mocidade.

Um jovem que até “ontem” era um anônimo, mas viralizou nas redes!

Gabriel, que é morador de Campo Grande, é técnico de enfermagem há 4 anos e faz parte de uma Comunidade Católica de Missionários. Esse é o primeiro trabalho dele na área de saúde, na linha de frente, bem no meio de uma pandemia.

Ele contou que pra ele não tem essa de ser famoso ou anônimo, e que por isso quis passar tranquilidade para Xuxa, como faz com todos os vacinados que passam pela quadra.

“Com ela foi tudo muito inusitado, mas também alegre e emocionante. Ela foi super gente como a gente, sofreu as angústias desse período e se emocionou com a imunização. O que eu fiz foi respirar fundo e trabalhar como venho trabalhando todo esse tempo”.

Da rainha a anônimos, Gabriel é testemunha da história de cada um que chegou até aqui e sonha com o dia da vacina.

Eu ainda não passei por esse dia, mas deve ser como se fosse um portal de esperança para um novo mundo depois de tudo isso.

“Teve uma senhora que depois de ser vacinada, agradeceu com os olhos cheios de lágrimas. Ela só dizia: muito obrigada, muito obrigada. E eu só conseguia sorrir, mesmo embaixo da máscara! Aquilo já valeu a pena!”

Entre um papo e outro, Gabriel também contou as situações inusitadas que acontecem na fila, principalmente quando se fala em medo da agulha!

“Ihhhh, tem gente que se treme toda, segura o braço, chora e não é por emoção, é por puro medo mesmo!”

E as demonstrações de protesto? Segundo ele, anteontem, no dia D para os profissionais de educação, não faltou foi gente manifestando! Mas pro jovem, vacinar não pode ser um ato político.

“Vários chegam com plaquinhas, camisas, apoiando partidos, candidatos… Mas vacinar tem que ser um ato humano, pelo bem de todos.”

Eu acho que nesse caso vacinar é um ato sim… Político, de vida, de respeito, empatia, amor ao próximo, liberdade.

É o Gabriel, mas tem a Patrícia, o Mário, a Cleide, tantos profissionais que vacinam centenas de pessoas por dia.

Da Xuxa não dá pra esquecer, das outras pessoas, é impossível lembrar de cada um, mas eles sabem que vão fazer parte do caminho de todos os vacinados…

Um viva bem forte aos técnicos de enfermagem, que além da linha de frente, agora fazem parte da ponta de esperança.

Tô esperando ansiosa pelo Gabriel que vai cruzar o meu caminho!

 

PINGO NO I

Olhando as imagens dos protestos sobre a morte da jovem Kathlen Romeu, a gente sempre vê a mesma coisa: o morador numa ponta e na outra, o soldado raso da PM.

O ferrado e o lascado numa guerra que não é deles. É bizarro como na comunidade nada chega, só a ponta do fuzil! Não tem moradia digna, o básico como água, luz, número de pessoas adequadas por cômodos… Nem as necessidades eles conseguem, tem gente que faz no chão! É só tragédia.

O Estado não existe lá dentro. E com isso, uma bomba-relógio é acionada, e o que sobra é essa polícia do combate.

Quem mais deveria se aproximar, vira inimigo! Eles só conhecem isso… E no final, adivinha quem ganha? O crime organizado! A conta não fecha e ninguém olha.

Enquanto o povo precisa de solução, o que resta é chorar com toda essa polarização.

Bora colocar o Pingo no I…

É muito blá-blá-blá e pouca coisa feita!

Via: O Dia
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