Secretário estadual de Saúde evita projeção sobre o Réveillon e Carnaval

Alexandre Chieppe revelou a queda no número de casos de dengue e zika e chikungunya no estado

RIO – Em pouco mais de um mês no cargo de secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Alexandre Chieppe, prepara sua equipe para os desafios que vão vir no segundo semestre. Ao DIA, ele revelou como a pasta trabalha na projeção de uma possível nova onda de contaminação da covid-19 e manifestou cautela ao falar do Réveillon e Carnaval de 2022. A boa notícia é a queda no número de casos de dengue e zika e chikungunya no estado. Chieppe explicou ainda que o governo fiscaliza os contratos de prestação de contas das Organizações Sociais (OSS) com a Comissão de Acompanhamento e Fiscalização (CAF). Ele disse também que existe um projeto de investimento em unidades pré-hospitalares e hospitalares.

ODIA: Com mais de um mês no cargo qual é o seu balanço até agora do trabalho na secretaria?

“É um imenso desafio, principalmente, neste período em que não só o estado do Rio de Janeiro como o país e o mundo enfrentam um momento de pandemia da Covid-19, uma doença nova e com uma letalidade muito grave. Fui convidado no sentido de contribuir com meu conhecimento e fazer a melhor gestão possível. Sou servidor há 21 anos e já passei por outros períodos com epidemias, como dengue e febre amarela. A secretaria de Saúde tem uma equipe muito competente e comprometida com a melhoria da saúde pública. De forma específica para o combate à Covid-19, estamos alavancando a vacinação, monitorando o cenário e organizando a rede assistencial. Ao mesmo tempo, estamos elaborando ações em saúde, além da pandemia, preparando melhorias nas ações assistenciais, de vigilância, pois a população precisa também de apoio em outras áreas”.

O que a secretaria prevê sobre o andamento da vacinação no Rio de Janeiro?

“Desde o início da campanha de vacinação contra Covid-19, a secretaria já realizou a entrega de mais de 5,8 milhões de doses para a primeira aplicação e cerca de 3,4 milhões de doses para a segunda. Foi montada uma operação logística para que os imunizantes chegassem em até sete horas em todo o estado, contando com comboios terrestres e helicópteros. Do total do público prioritário das quatro primeiras fases da vacinação descritas no Programa Nacional de Imunizações (PNI), cerca de 53% já receberam a primeira aplicação e 24% a segunda aplicação do esquema vacinal. O Calendário Único de Vacinação entrou em vigor para todo o estado do Rio. Tem o objetivo de padronizar as ações de imunização, começando pelos grupos prioritários, conforme previsto pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO). A previsão é que até outubro a população com 18 anos ou mais já esteja vacinada, com a primeira dose. Contudo, este calendário é uma previsão, pois depende do envio das doses feito pelo Ministério da Saúde”.

Como a secretaria está se preparando para uma possível nova onda? O Estado projeta abrir mais leitos?

“A Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde (SVAPS), monitora diariamente os dados relativos à pandemia da Covid-19 no estado. A equipe técnica observa o comportamento das ondas da doença que ocorreram no estado para avaliar a possibilidade de ocorrer ou não uma nova onda da pandemia, quando há aumento repentino na demanda por leitos, principalmente de UTI. A SES atualiza o plano de contingência para, de forma antecipada, ampliar o número de leitos disponíveis, assim como disponibilizar insumos utilizados no combate à doença, caso seja necessário”.

A realização da Copa América no Rio traz alguma preocupação para a secretaria?

“Os protocolos específicos para realizações de competições, como a Copa América, devem ser desenvolvidos pelos próprios organizadores. Cabe ressaltar que devem seguir as orientações já instituídas e que estão sendo adotadas nos campeonatos de futebol que vêm ocorrendo no estado. Especificamente, quanto ao protocolo da Conmebol, o mesmo atende aos requisitos sanitários necessários. Cabe agora às secretarias municipais e estadual de Saúde monitorarem”.

O que esperar do Réveillon no Estado em 2021? E no Carnaval de 2022, o que a secretaria pensa sobre a realização dos desfiles e blocos por todo o Estado?

“Ainda é precoce fazer previsões para a realização desses grandes eventos, que inevitavelmente provocam aglomerações. Como a Covid-19 é considerada ainda uma doença nova, temos que seguir acompanhando seu comportamento nos próximos meses, analisando os efeitos da vacinação para, a partir de então, concluir as possibilidades de realização do réveillon e do carnaval, sem que provoque riscos à população. O mesmo cabe para a liberação da presença de público no Campeonato Carioca 2022”.

Recentemente, o senhor falou em melhorar os processos de controle interno dos contratos com as Oss e a Fundação Saúde. Como isso pode ser feito?

“A Secretaria criou a Subsecretaria de Acompanhamento de Contratos de Gestão, visando aprimorar os processos de gestão de todos os contratos e serviços realizados pela secretaria, tanto de Organizações Sociais como da Fundação Saúde. Os contratos de prestação de contas das OSS são verificados de forma contínua pela Comissão de Acompanhamento e Fiscalização (CAF). Todo problema verificado é questionado à organização social e, se a justificativa apresentada não for suficiente para dirimir dúvidas, pode haver sanções”.

O Hospital Federal do Andaraí fechou a emergência e o Rio sofre com esse atendimento. Como estão os hospitais da rede estadual e o que pode ser feito para dar mais estrutura ainda em 2021?

“Estamos fazendo rondas nas unidades estaduais de saúde para verificar as condições de funcionamento. O objetivo é identificar as possibilidades de melhorias, na parte estrutural assim como nos protocolos de atendimento, com mais segurança e humanização, visando a assistência para a população. Existe um projeto de investimento em unidades pré-hospitalares e hospitalares, no Estado do Rio de Janeiro, incluindo a rede estadual”.

A secretaria solicitou insumos e equipamentos para o Ministério da Saúde. O que é mais urgente neste momento e o que o Rio espera ter neste segundo semestre?

“A Secretaria de Estado mantém constante contato com o Ministério da Saúde, e vem sendo atendida em muitas de suas solicitações. É preciso considerar que há uma forte atuação conjunta no combate à pandemia. Por exemplo, os medicamentos que compõe o chamado “kit intubação” estão sendo disponibilizados com frequência pelo Ministério da Saúde, e se unem a itens adquiridos pela própria SES para distribuição às unidades públicas de saúde com leitos Covid das redes municipais, estadual e federal”.

Além da Covid-19, o que a secretaria está projetando em termos de campanha para Dengue e demais doenças?

“Não deixamos de atuar em outras áreas da saúde pública. A Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental faz um acompanhamento constante, principalmente do cenário da dengue, zika e chikungunya no estado e observa uma queda expressiva no número de casos. De janeiro a junho deste ano, foram notificados 2.019 casos de dengue, 288 de chikungunya e 40 de zika. Não houve registro de mortes em 2021. Comparado ao mesmo período de 2020, houve, respectivamente, uma queda de 44%, 62% e 91% no número de casos, uma vez que foram confirmados 3.621 casos de dengue (1 óbito), 106 de zika e 3.192 de chikungunya. Ainda que esses números estejam baixos, a população deve contribuir para que não ocorra aumento. E a medida mais eficaz é a prevenção, divulgada massivamente ao longo dos anos pela SES, por meio da campanha “10 minutos salvam vidas”, com orientações de cuidados em suas residências, para evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti”.

Via: O Dia
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