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Reprodução simulada do caso Kathlen é ‘fundamental’, afirma procurador da OAB

Advogado acompanha família de Kathlen na Delegacia de Homicídios. Avó presta depoimento

Rio – O procurador da comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, Rodrigo Mondego, avalia como “fundamental” uma reprodução simulada do caso de Kathlen Romeu, jovem que morreu durante um confronto no Complexo do Lins, na terça-feira. O advogado está na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), na Barra da Tijuca, para acompanhar a família de Kathlen. A avó, que estava com Kathlen no momento do tiro, será ouvida nesta sexta-feira (11).
Mondego avalia que houve graves problemas na manutenção da cena do crime, já que munições e cápsulas utilizadas no confronto não foram encontradas no local, o que prejudicou o trabalho da perícia.

“Há indícios de que sumiram com os estojos. Os policiais afirmam em depoimento que atiraram: cadê esses estojos? É nítido que existiu uma fraude processual. Não existiria sentido de o varejo do tráfico de drogas sumir com a munição da polícia”, diz Mondego.

O Padre Omar, reitor do Santuário do Cristo Redentor e colunista do DIA, também esteve na Delegacia de Homicídios para dar suporte à família de Kathlen Romeu. Ele orou com os parentes e está programando uma missa no Cristo Redentor em memória da jovem, que estava grávida de quatro meses.

“Fizemos uma prece juntos, uma oração, e ela (a mãe) pediu para que a gente rezasse uma missa. Ela quer que seja feita uma missa no Cristo Redentor”, afirmou Padre Omar, que entregou um terço aos familiares. “Ela até lembrou que na missa do Paulo Gustavo estava assistindo com a filha, e choraram juntas”. A data da missa ainda vai ser definida pela família de Kathlen.

Policiais afastados das ruas

A Polícia Militar informou que os 12 agentes envolvidos na operação no Complexo do Lins, que resultou na morte de Kathlen Romeu, foram afastados das ruas.

O principal ponto solto a ser apurado é de onde partiu o tiro que atingiu Kathlen, durante ação da Polícia Militar no Complexo do Lins, na última terça-feira. Familiares afirmam que os tiros partiram dos PMs. A corporação nega.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou uma investigação para apurar a conduta dos policiais que participaram da ação que resultou na morte de Kathlen de Oliveira Romeu, 24 anos, no Complexo do Lins, Zona Norte. Em nota, o MPRJ ainda afirmou que pediu à Corregedoria da Polícia Militar para instaurar um inquérito interno para investigar o caso.

“A 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro informa que instaurou Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para investigar, em procedimento independente, os fatos que causaram a morte de Kathlen de Oliveira Romeu. Por sua vez, a Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar do MPRJ informa que também instaurou PIC para apurar eventual crime militar relacionado ao caso”, afirmou.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Álvaro Quintão, a ação policial que terminou com a morte da jovem grávida Kathlen Romeu foi irregular. “Se os policiais estavam nesta ação dentro da favela, foi irregular porque não comunicaram ao Ministério Público e a PM negou a operação, por outro lado, se os policiais estavam em operação à revelia do comando da PM, também se trata de uma operação irregular”, afirma o presidente.

Na quinta-feira, os pais de Kathlen Romeu participaram do ‘Encontro’. O casal Jaqueline e Luciano criticaram a maneira como as operações policiais são feitas nas comunidades e o alto número de negros mortos nessas situações.

“As vidas só importam na zona sul. As operações são diferentes, são menos desastrosas. Tudo que ensinam para a gente, que você tem que estudar, andar com pessoas de bem, se formar, é perdido no meio do caminho”, diz a mãe de Kathlen. “Eu queria ganhar esse tiro”, completou Jaqueline.

“Devastaram a minha vida. Devastaram a vida da minha família”, continua Jaqueline. A mãe da jovem fala que estava no trabalho quando a filha foi atingida pelo tiro e conta que o marido foi buscá-la para irem ao hospital. Parentes contaram para ela por telefone que Kathlen havia sido atingida no braço, mas chegando no hospital descobriu que ela já estava morta.

“Como moradora de comunidade, eu sei das covardias que aconteceu. Eu pensei em tiro de fuzil e pensei que o braço dela pudesse estar pendurado. Eu jamais imaginaria que ela morreu. A única coisa que eu perguntei foi como um tiro no braço mata alguém, tem alguma coisa errada”, lembra. “Ela foi ceifada, foi arrancada brutalmente”, lamenta Jaqueline.

Via: O Dia
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