Prefeitura do Rio inaugura Circuito da Diversidade no Dia do Orgulho LGBTQIA+

A Secretaria de Cultura vai homenagear João do Rio, Madame Satã e Lotta Macedo Soares

Rio – A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Cultura em parceria com a Coordenadoria Executiva da Diversidade Sexual (Ceds Rio) e o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, vai inaugurar o Circuito da Diversidade, nesta segunda-feira, no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. A rota será marcada por placas com nomes de lugares ou personalidades gays que idealizaram ou transformaram espaços da cidade com suas obras ou ações.

As placas serão instaladas nos seguintes endereços: Cabaret Casanova (Avenida Mem de Sá, 25, Centro), palco de apresentações de artistas emblemáticos como Madame Satã; Largo da Carioca (endereço do extinto jornal “A Pátria”), em homenagem a João do Rio — jornalista, cronista, contista e teatrólogo que completa seu centenário de morte este ano; e no Parque do Flamengo (Parque do Flamengo, em frente à Rua Dois de Dezembro), em homenagem a Lota de Macedo Soares, onde haverá cerimônia de lançamento nesta segunda, às 15h.

Além do lançamento do Circuito, o Dia do Orgulho LGBTQIA+ também será celebrado em um seminário promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro, em parceria com a Ceds Rio. Intitulado “Stonewall carioca: avanços, resistências e história da cidadania LGBTQIA+ no Brasil a partir do Rio de Janeiro”, o debate será transmitido pelo YouTube da OAB/RJ, a partir das 10h, e discutirá o reconhecimento dos direitos civis dos cidadãos LGBTQIA+ brasileiros nas últimas duas décadas, a partir do pioneirismo carioca na criação de legislações de combate à discriminação e na luta por direitos constitucionais da população LGBTQIA+.

A agenda do Dia do Orgulho LGBTQIA+ se encerra com uma sessão solene promovida pela Câmara dos Vereadores, com transmissão ao vivo pela TV Câmara, a partir das 16h. Na cerimônia, serão homenageados ativistas do movimento LGBTQIA+ carioca.

Conheça os primeiros homenageados: 

João do Rio

Em 2021, completa-se o centenário da morte do jornalista, cronista, contista e teatrólogo João do Rio (1881-1921). Um dos grandes nomes da imprensa brasileira, João popularizou entre nós as então novidades da entrevista e da reportagem in loco, possibilitando que os jornalistas saíssem das redações e fossem para a rua. Fundou o jornal “A Pátria”, que funcionou no Largo da Carioca, no Centro do Rio.

É considerado o maior cronista da cidade, tendo percorrido das favelas aos salões da sociedade, e assinado contos e peças de teatro de sucesso. Foi membro da ABL e diretor da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT). Apesar de seus inúmeros desafetos, que o atacavam por sua afrodescendência e homossexualidade, alcançou tamanho prestígio junto à sociedade da época que cerca de cem mil pessoas estiveram presentes em seu enterro, no cemitério São João Batista.

Dito “o pai da crônica”, este gênero tão afeito à nossa proverbial preguiça e talento para o papo furado, João do Rio era gay, dândi, sofisticado, ao mesmo tempo descendente de negros recém-libertos e de brancos oligarcas, políticos influentes. A obra desse cronista da vida carioca antecipa muitas características do modernismo. Pode-se relacioná-la à produção em prosa de Oswald de Andrade e ao jornalismo de nossos dias.

Cabaret Casanova

Aberto em 1937, com o nome Viena Budapeste, o espaço renomeado Cabaret Casanova era considerado um dos espaços mais antigos da Lapa. Acredita-se que lá Noel Rosa teria composto a música “A Dama do Cabaré”, depois de levar um fora de uma amante.

Situada na Avenida Mem de Sá, a casa foi referência na noite LGBTQIA+ do Rio — em especial, devido às apresentações de ícones da arte drag brasileira, como Laura de Vison e Meime dos Brilhos. Foi no Casanova que se formou o grupo Dzi Croquettes e que o lendário Madame Satã fez suas últimas incursões pela Lapa boêmia. O espaço também recebeu artistas como Carlos Machado e Alcione, até fechar as portas, nos anos 2000.

Lota de Macedo Soares

Filha de brasileiros, a arquiteta-paisagista e urbanista autodidata Lota de Macedo Soares (1910-1967) nasceu em Paris, na França. Na década de 1960, a convite do então governador Carlos Lacerda, foi uma das idealizadoras do projeto do Parque do Flamengo, o maior aterro urbano do mundo.

Em 2013, teve parte de sua vida ilustrada no cinema, com o filme “Flores Raras” (de Bruno Barreto), que narra seu relacionamento com a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop. Nas telas, Lota foi interpretada pela atriz Glória Pires. A escritora e a arquiteta foram casadas de 1951 até 1965 e moravam na casa Samambaia, em Petrópolis. O filme também ilustra o triângulo amoroso protagonizado pelas duas com Mary Stearns Mors, ex-companheira de Lota.

Via: O Dia
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