Prefeitura diz que parte das famílias tinha casa alugada e morava no assentamento; terreno é ‘terra arrasada’

Secretaria Municipal de Assistência Social disse que parte das pessoas eram oriundas de bairros vizinhos de Itaguaí, como Campo Grande e Santa Cruz

Rio – O bairro Ponte Preta, em Itaguaí, lembra um cenário do interior brasileiro: um mercado, uma praça e um posto de gasolina à beira da avenida compõem a região. A aparente tranquilidade contrasta com o que a cidade viveu na quinta-feira (30), quando a reintegração de posse de um terreno da Petrobras, ocupado há dois meses por 950 pessoas, causou conflito com a Polícia Militar, deixou pessoas feridas e escancarou as questões da habitação e da pobreza, problemas agravados pela pandemia e que pouco combinam com a tranquilidade local.

O cenário do gigantesco terreno no dia seguinte era de terra arrasada. Lonas e madeiras que formavam as estruturas dos barracos estavam amontoadas para serem jogadas no lixo – funcionários da Prefeitura de Itaguaí e da Petrobras faziam a limpeza do espaço. A empresa afirmou que a reintegração cumpre decisão da 2ª Vara Cível de Itaguaí e que foi autorizada pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não explicou o que fará com o terreno.

A presença de um complexo petroquímico da Petrobras na região foi a esperança de transformação do município, que cresceu distante das promessas. Vizinhos afirmam que o terreno está abandonado há dez anos. “Moro aqui há 20 anos, e sempre convivi com a promessa de que ia ter emprego para todos, casa para todos e qualidade de vida”, disse um morador da região.

Prefeitura afirma que parte dos moradores tinha casa alugada em outros locais

Na quinta, a secretaria de Assistência Social de Itaguaí realizou um levantamento e estimou que 930 pessoas vivam na ocupação, que cresceu em pouco mais de dois meses – em maio, o DIA publicou o crescimento do assentamento. O município abrigou 350 pessoas, entre crianças e idosos, em uma escola municipal. Elas receberam alimentos e cobertores, mas ainda devem passar por uma análise individual e, por enquanto, não têm para onde ir. A pasta informou que “ainda não houve cadastro para o aluguel social”, e que “será feito um atendimento detalhado para entender a necessidade de cada um”.

A prefeitura também tenta descobrir de onde as famílias vieram. A Assistência Social de Itaguaí afirmou que, na maioria dos casos, as famílias têm moradia alugada e emprego de carteira assinada, e “alugaram seus imóveis para morar no assentamento”. A maior parte das pessoas são oriundas dos bairros da capital vizinho a Itaguaí, como Campo Grande e Santa Cruz.

Via: O Dia
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