Praça Seca foi alvo de 30 operações policiais entre julho e abril, aponta relatório do MP

As ações se intensificaram em março, quando o Ministério Público foi informado de 10 diligências. Segundo a polícia, a região tem sido palco de guerra entre milicianos e traficantes

Rio – Palco de uma disputa entre milicianos e traficantes do Comando Vermelho (CV) e milicianos, a região da Praça Seca, na Zona Oeste do Rio, foi alvo de 30 operações policiais entre 8 de julho de 2020 e 27 de abril deste ano. A maioria das ações foram realizadas pela PM e 20 delas aconteceram na comunidade da Barão, de acordo com um levantamento feito pelo Ministério Público do Rio (MPRJ).

O documento, que tem o objetivo de acompanhar as operações das polícias Civil e Militar, apontou que os patrulhamentos na Praça Seca se intensificaram a partir de março, quando foram feitas 10 diligências. Antes disso, 13 ações tinham sido informadas ao MP. A região conta com as comunidades da Barão, Bateau Mouche, Chacrinha, Campinho, Fubá, Jordão, 18, Caixa D’água e Divino.

De acordo com investigações da Polícia Civil, em fevereiro traficantes e milicianos voltaram a se enfrentar e só naquele mês, a plataforma Fogo Cruzado registrou 22 tiroteios na Praça Seca. A guerra pelo controle das atividades criminosas na região já dura quase uma década, segundo a corporação.

Os traficantes do CV são liderados por Pedro Paulo Guedes, conhecido como Pedro Bala ou Urso, que está foragido, e Luiz Claudio Machado, o Marreta, que está preso desde 2014. Atualmente, o grupo controla o tráfico de drogas do Morro da Barão, Morro da 18 e Caixa D’água.

Do outro lado da disputa, estão os paramilitares. Edmilson Gomes Menezes, o Macaquinho, é o principal miliciano que atua na região. Seu principal reduto, é a comunidade do Campinho.

Além de controlar a localidade, Macaquinho, que é aliado a Danilo Dias Lima, o Tandera, ainda tem braços nas outras favelas da região dominadas pela milícia, como Divino, Bateau Mouche, Fubá e Chacrinha. Elas são gerenciadas por Leonardo Luccas Pereira, conhecido como Leléo, e um paramilitar identificado apenas como Danado.

Desde fevereiro, o bairro é líder no ranking de tiroteios em toda Região Metropolitana do Rio, segundo relatórios do Fogo Cruzado. Em maio e abril, a Praça Seca também liderou os registros de disparos entre todos os bairros da Região Metropolitana, segundo a plataforma, contabilizando 34 e 31 ocorrências, respectivamente. Em março, o grupo de análise de dados ainda contabilizou que a região teve 11 dias seguidos de confrontos armados e 37 dias com tiros.

O levantamento do Ministério Público analisou que em 326 dias, no período entre 14 de junho de 2020 e 21 de maio deste ano, as polícias estaduais fizeram 528 incursões em todo o estado, o que representa uma média de 1,6 ações por dia. O documento descreve em detalhes quando foram realizadas as operações, quais unidades participaram, onde elas aconteceram, quais promotorias são responsáveis pela investigação e quando as ações foram comunicadas ao MP. Quatrocentos e sessenta e seis operações foram feitas pela Polícia Militar e 60 pela Civil, segundo a planilha. 

Via: O Dia
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