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PM faz palestras de prevenção contra exploração sexual infantil para moradores de comunidades

Agentes de segurança também participam de capacitação durante o mês de conscientização da violência praticada contra menores

Major psicóloga Márcia Stanzione e major Bianca NevesEliane Carvalho / Divulgação

Rio – “As crianças sempre emitem sinais”. Foi com essa afirmação que a major psicóloga Márcia Stanzione iniciou a série de palestras que a Secretaria de Estado de Polícia Militar vem realizando em comunidades com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). As ações marcam a campanha Maio Laranja, que simboliza o mês de combate à violência e à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Na Providência e no Vidigal, moradores e alunos dos projetos coordenados pelas UPPs participaram do encontro com a oficial da PM e instrutores do Programa Educacional de Resistência às Drogas (PROERD). Eles ressaltaram a importância da denúncia de qualquer tipo de violência contra menores e alertas que pais e responsáveis devem ter quanto às mudanças no comportamento das vítimas desse tipo de crime.

“Perturbações do sono e da alimentação, dificuldades escolares e sexualidade exacerbada podem ser sinais de violência sexual. Os adultos precisam estar atentos e denunciar”, explicou a psicóloga.

Para a major Bianca Neves, assessora de Projetos de Prevenção da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), estabelecer uma relação de confiança com policiais é fundamental. A Polícia Militar, no primeiro trimestre desse ano, foi acionada 1.379 vezes para ocorrências de violência contra menores.

“Estar aqui transmitindo informações aos responsáveis e às próprias crianças é muito importante para nós. A UPP, em especial a do Morro da Providência, está há 12 anos realizando projetos para a comunidade”, acrescentou Bianca.

Mãe e moradora do Morro da Providência, Zona Norte do Rio, Carla Soares Grissini, 45 anos, conhece bem a realidade de crianças e adolescentes que vivem nas comunidades e a importância do diálogo e a prevenção desses crimes.

“Sabemos que nos dias de hoje temos que ficar atentos não só aos casos de violência sexual cometidos contra as crianças e jovens, mas também a violência psicológica. Precisamos disso para ajudar nossos filhos e todas as demais pessoas que estão à nossa volta. A violência sexual, na maioria das vezes, vem de dentro de casa. Temos que estar sempre em alerta”, pontuou.

Capacitação de policiais militares em todo o estado

A cada hora, três crianças sofrem no país algum tipo de violência sexual. A revelação, triste e desafiadora, foi apresentada pela promotora de justiça Karina Pupin para mais de 200 policiais militares, oficiais e praças, lotados em todas as unidades operacionais e de setores de planejamento.

Durante a conferência, ela apresentou dados estatísticos sobre o cometimento desses crimes e algumas características que dificultam muito o seu enfrentamento. Uma delas é que 73% dos crimes ocorrem dentro de residências e 40% dos suspeitos são pais ou padrastos das vítimas.

Para o secretário de Estado de Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo de Lacerda, a palestra da promotora ofereceu uma contribuição enorme para o enfrentamento desse tipo de crime.

“Nosso objetivo com o evento virtual foi levar aos policiais militares o conhecimento para atuarem de forma técnica, profissional e, sobretudo, acolhedora nas ocorrências relacionadas a abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes”, concluiu Figueredo.

Governo cria cartilha com informações e telefones para denúncia de crimes

O Governo do Estado lançou a cartilha “Não Podemos Fechar os Olhos” para auxiliar pais e responsáveis na identificação de crimes de violência e exploração sexual infantil. O conteúdo ensina a identificar e reconhecer possíveis sinais desse tipo de violência, além de números de emergência onde é possível encontrar ajuda especializada. A cartilha está disponível no site e nas redes sociais oficiais do estado.

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