quinta-feira, 28 de outubro de 2021
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Passageiros sofreram paralisações do metrô 20 vezes no ano passado

Agência reguladora aponta que problemas no metrô mais caro do Brasil, que parou às 17h30 de sexta e só voltou a funcionar neste sábado, geraram impacto nas viagens quase duas vezes por mês. Dos 20 registros, 17 foram por falhas técnicas

Rio – Durante o ano passado, os passageiros do MetrôRio sofreram 20 episódios que interferiram na circulação do transporte e que motivaram abertura de ocorrência pela agência reguladora, a Agetransp. Ao longo de 12 meses, o balanço, obtido junto à Agetransp, representa quase duas ocorrências por mês. Segundo o órgão, tratam-se de casos que de fato geraram impacto nas viagens e não apenas o atraso de alguns minutos.

Às 17h30 da última sexta-feira, todas as linhas foram suspensas e os passageiros tiveram que se virar para conseguir voltar para casa após um foco de incêndio em um canal de cabos. O serviço ficou interrompido durante seis horas e meia e só foi normalizado na manhã deste sábado. Os passageiros tiveram de desembarcar, alguns deles na via férrea.

Dos 20 casos relatados pela Agetransp em 2020, 17 foram motivados por problemas técnicos, como avaria no material rodante, falha de sinalização, queda de energia e descarrilamento de veículo auxiliar. Três situações foram em decorrência de acessos indevidos à vida, ou seja, ação de terceiros. A maioria das ocorrências aconteceu nas linhas 1 e 2 (18). Apenas duas afetaram a Linha 4, que é mais nova, construída para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio.

Em 2020, a Agetransp aplicou quatro multas à concessionária e, até maio deste ano, seis penalidades. Em 2020 também foi julgado (e negado) um recurso de multa da concessionária. Nos últimos 12 meses, a Agetransp instaurou 63 processos administrativos para as responsabilidades por falhas ocorridas na operação da Concessionária MetrôRio (linhas 1, 2 e 4).

A Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) vai pedir, na segunda-feira, que o Ministério Público apure com rigor o que causou o incêndio ocorrido na tarde de sexta-feira. Para o deputado Dionísio Lins (Progressista), que vai acionar a Promotoria de Tutela e Defesa do Consumidor, o incidente colocou em risco a vida das pessoas e o alto custo da tarifa, que subiu de R$ 5 para R$ 5,80 em maio, não justifica tantos problemas. É a tarifa de metrô mais cara do país.

“Não dá para entender o fato de quase todos os dias o metrô apresentar um problema elétrico como denunciam os usuários. Eles (empresários) pediram e tiveram o reajuste da passagem de R$ 5,00 para R$ 5,80 com a finalidade de melhorar a qualidade do serviço prestado, principalmente no que diz respeito à segurança. Estamos solicitando que o MP apure as responsabilidades e implemente um ajuste de conduta para que os usuários não sejam mais penalizados, ficando sem saber como irão se deslocar para seus lares ou locais de trabalho e na dúvida se receberão de volta ou não o valor pago. Essa situação não pode se tornar uma constante”, comentou o parlamentar.

Passageiros foram obrigados a desembarcar do metrô na tarde de sexta-feiraReprodução de vídeo

Por causa do incidente, as estações ficaram cheias de passageiros que precisaram desembarcar e seguir viagem em outros transportes. “A gente paga 5,80 de passagem para ter incêndio em parte elétrica o tempo todo”, disse uma passageira nas redes sociais na noite de sexta-feira. “Prezados do MetrôRio, a tarifa no valor de R$ 5,80 é proporcional ao tamanho da humilhação em que o usuário é submetido?”, questionou um passageiro, com uma foto que mostra os passageiros aglomerados em pé na linha férrea.

Já o gestor de Logística Douglas Mendonça, de 33 anos, que usa o metrô todos os dias, não tem o que reclamar. “Eu uso o metrô de manhã e de noite. É o meu meio de transporte oficial, assim como os trens da SuperVia. Não vejo tanto problema. Sou crítico, chato, mas o atendimento deles é bom, a comunicação é boa. Todas as estações têm televisão informando em tempo real onde o trem está. Óbvio que o fato de sexta foi bem grave”, ressalta.

Lúcia Cabral, professora de 66 anos, reclama da presença de homens no vagão feminino e o desrespeito às regras de proteção da covid-19. “Falta de respeito nos vagões femininos devido à falta de fiscalização em todas as estações é uma das reivindicações. Outra situação ruim dentro dos trens são as pessoas que não respeitam as normas da OMS: não usam mascaras! Para entrar na estação, passando pela roleta, estão com máscaras, mas assim que passam, tiram as máscaras e não há ninguém que as obrigue a usar. Os camelôs também circulam nos trens vendendo e anunciando em altos brados, espalhando saliva para todos”, diz ela.

Por meio do Twitter, o MetrôRio afirmou, na noite de sexta-feira, que os técnicos atuavam para restabelecer o serviço e que o problema foi causado por um foco de incêndio que atingiu um canal de cabos. Além disso, orientou os clientes que estivessem nas estações a solicitar o Siga Viagem aos agentes de segurança para usar o ticket em outro meio de transporte. Sobre o levantamento da Agetransp, a empresa não havia respondido ao DIA até a publicação desta reportagem.

AGETRANSP APURA RESPONSABILIDADES

A Agetransp já abriu um boletim de ocorrência para apurar as responsabilidades da concessionária no incêndio e paralisação de sexta-feira. Os técnicos farão um levantamento dos fatos que contribuíram para a falha no sistema de energia, ocasionada por um princípio de incêndio que atingiu o canal de cabos no trecho entre as estações Central do Brasil e Presidente Vargas. Além de determinar as causas do princípio de incêndio, a investigação do órgão observará o cumprimento dos protocolos de segurança e o plano de contingência para a retirada dos passageiros e a restituição da passagem.

Ainda de acordo com a Agetransp, no momento do incidente, um total de 46 composições foram esvaziadas nas estações e duas delas, fora das estações, sendo necessária a retirada dos passageiros pelos trilhos e guiados até a estação mais próxima (Jardim Oceânico e São Conrado).

Os processos apuratórios da Agetransp são divididos em quatro etapas: primeiro, o caso é registrado, geralmente narrado pelos fiscais. Em segundo momento, nos casos em que é observada uma relevância, são abertas as ocorrências, onde se apuram os fatos com as equipes técnicas. Depois, configurada a falha, abre-se o processo administrativo para enquadrar as falhas dentro do contrato de concessão, ouvir as partes e instruir o processo. Em uma quarta fase, o conselho diretor julga o processo.

Tarifa mais cara do Brasil

A passagem do metrô do Rio de Janeiro subiu de R$ 5 para R$ 5,80 no mês de maio. É a tarifa metroviária mais cara do país. O governo do estado e a concessionária negociaram durante quase dois meses para acertarem o novo valor e o aumento acabou pesado para o bolso dos passageiros. Em março, a agência reguladora tinha autorizado que a tarifa passasse a custar R$ 6,30 a partir do dia 2 de abril, mas o reajuste acabou sendo adiado e chegou a um valor menor.

VEJA A LISTA DE OCORRÊNCIAS ABERTAS PELA AGETRANSP EM 2020

Linhas 1 e 2

17/4/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante na plataforma da estação Cidade Nova

19/02/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante na plataforma da estação Siqueira Campos

24/12/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante na plataforma da estação Afonso Pena

10/12/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante na plataforma da estação Saens Peña

16/10/2020 – Sinalização – Falha na zona de manobra de Siqueira Campos, passando a operação para o modo manual até a normalização do sistema. Intervalos irregulares

21/10/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante na plataforma da estação Cardeal Arcoverde

28/09/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante na plataforma da estação Cantagalo

12/06/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante entre as estações Pavuna e Engenheiro Rubens Paiva

12/05/2020 – Ação de terceiros – Interrupção de energia no trecho de Glória a Cinelândia devido a acesso indevido na estação Glória

01/03/2020 – Ação de terceiros – Acesso indevido na estação Saens Peña, tendo a necessidade do corte de energia entre as estações Uruguai e São Francisco Xavier

29/02/2020 – Ação de terceiros – Corte de energia na Estação São Francisco Xavier por acesso indevido à via

08/01/2020 – Material rodante – Queda de energia de tração nas vias 1 e 2, do trecho entre as estações Irajá e Engenho da Rainha, na Linha 2

18/01/2020 – Sinalização – Falha de sinalização na zona de manobra da estação Cantagalo, ficando a zona de manobra em esquema manual

04/02/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante na estação Cardeal Arcoverde e o mesmo foi retirado da operação

07/02/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante na estação Central

09/02/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante na estação Cidade Nova

09/02/2020 – Energia – Falta de energia de tração na interestação Central/ Cidade Nova devido ao furto de cabos

17/06/2020 – Veículos auxiliares – Descarrilamento de um veículo de via entre as estações Vicente de Carvalho e Thomaz Coelho

Linha 4

09/02/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante na estação Jardim Oceânico

25/04/2020 – Material rodante – Avaria de material rodante na estação São Conrado

Via: O Dia

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