O som do forró promove uma viagem pelo ‘arraiá’ da vida

"E, quando o locutor gritasse 'Olha a tristeza!', eu só queria ter a magia de responder de bate-pronto: 'É mentira!'. E, assim, seguiríamos todos juntos na dança da alegria"

Se a vida fosse um grande ‘arraiá’, pediria emprestado o lado lúdico das festas juninas para enfeitar os meus dias. Também colocaria na minha rotina a alegria de bailar sem a vergonha de cantar bem alto ou dançar agarradinha com a felicidade. E sinto que seria bem-sucedida porque, só de imaginar tudo isso, já entro no ritmo do forró do mestre Luiz Gonzaga, em sua composição com José Fernandes. Afinal, não precisamos ser contemporâneos do Rei do Baião para acender a fogueira do coração e entender a letra: “Foi numa noite igual a esta/ Que tu me deste o coração/ O céu estava assim em festa/ Porque era noite de São João”.

Do ‘arraiá’, pegaria também o cajuzinho, doce que sempre terá o primeiro lugar na minha preferência — superando, inclusive, o brigadeiro. Mas daria espaço a outras iguarias para que todos se servissem do que mais gostassem: canjica, pé de moleque, paçoca, espiga de milho… Ainda traria para os meus dias a magia da fantasia de caipira guardada no álbum de infância. Lá estão as marias-chiquinhas no cabelo e as pintinhas nas bochechas cuidadosamente produzidas pela minha mãe para a festa do colégio. Também colocaria laços de fita nos abraços virtuais dos amigos e enfeitaria os encontros online com bandeirinhas multicoloridas. E deixaria liberada a pescaria de bons sentimentos.

Gonzagão, numa parceria com Hervé Cordovil, me levaria a andar por este país “guardando as recordações/ das terras onde passei…”. Ao mesmo tempo, nesse resgaste de tradição e folclore, haveria a constatação de que nem tudo é um baile junino, com a sua famosa ‘Asa Branca’, sua composição com Humberto Teixeira: “Quando olhei a terra ardendo/ Qual fogueira de São João/ Eu perguntei a Deus do céu, ai/ Por que tamanha judiação”. E, quando o locutor gritasse “Olha a tristeza!”, eu só queria ter a magia de responder de bate-pronto: “É mentira!”. E, assim, seguiríamos todos juntos na dança da alegria.

Via: O Dia
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