O JABUTI DESCEU DA ÁRVORE

A queda do ex-ministro Ricardo Salles é apenas mais um episódio da novela ambiental que ainda terá muitos capítulos pela frente e ninguém sabe como terminará

A maior curiosidade em torno da queda do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que “pediu para sair” na última quarta-feira, pode ser resumida numa pergunta simples e direta: como ele conseguiu resistir tanto tempo no cargo? Titular de uma pasta complexa, que tem sob sua responsabilidade tanto a preservação da Amazônia e do Cerrado quanto das florestas urbanas do Rio de Janeiro; que cuida dos mananciais, da fauna, da flora e, em última instância, da qualidade do ar que se respira nas grandes cidades, Salles vinha sobrevivendo a um bombardeio intenso desde o dia 22 de abril do ano passado.

Naquela data, para quem não se recorda, foi realizada uma reunião ministerial que, a princípio, deveria tratar das medidas emergenciais destinadas ao enfrentamento da pandemia da covid-19. O encontro, no entanto, ganhou notoriedade por razões de outra natureza. A primeira delas foi a de ter sido o estopim para a demissão do ex-juiz Sérgio Moro do Ministério da Justiça. A outra foi a frase dita por Salles e que passaria a ser citada toda vez que o nome do ministro fosse mencionado dali em diante.

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