Rio – No início de junho, o deputado federal Alexandre Leite (DEM-SP), relator do processo que julga a quebra de decoro da deputada Flordelis no Conselho de Ética da Câmara, leu o parecer no qual pediu a cassação do mandato da parlamentar. Na semana passada, o relatório assinado por ele foi aprovado por 16 votos a 1, pelos membros do Conselho. A partir de agora, cabe ao presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-Alagoas), dar continuidade ao processo para que os 513 deputados federais possam votar a favor ou não da perda de mandado.

A líder religiosa e cantora gospel é acusada de ser mandante da morte do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019. O assassinato completou dois anos nesta quarta-feira. 

Em entrevista a O DIA, o deputado Alexandre Leite deu detalhes sobre o processo. Para o parlamentar, Flordelis cometeu quebra de decoro e por isso pediu a cassação.

“Os deputados e deputadas precisam entender que as suas condutas podem ter consequências administrativas. E o Conselho de Ética é essa bala de prata capaz de atravessar o manto da imunidade parlamentar”, reforça Alexandre Leite

OD – Aceitou de imediato ser relator do processo?

AL – Após o sorteio, em entrevista com o presidente do Conselho de Ética, à época deputado Juscelino Filho, indagado se haveria interesse da minha parte em relatar, respondi que não. Acredito que a minha negativa tenha sido determinante para a escolha. Recebi como uma missão a cumprir pelo meu dever institucional. Mas já sabia que seria um caso extenso, denso e delicado, que demandaria dedicação quase que exclusiva para que a missão fosse cumprida adequadamente.

OD – O processo da Polícia Civil foi dividido em duas partes, isso atrapalhou?

AL – Não, ambas as partes do processo se complementam. Fiz das palavras do delegado as minhas, pois elas resumem bem o que concluímos ao longo desses quase 90 dias de trabalho

OD -Como identificou a quebra de decoro?

AL -Abusar de prerrogativa, mentir no Conselho e mentir deliberadamente sobre fatos irrefutáveis

OD – Flordelis usa da força parlamentar para obter vantagem?

AL – Sim. E isso ficou claro no relatório. Essa foi uma das quatro incorrências sugeridas para a quebra de decoro.

OD – O achou do trabalho do Polícia Civil e MPRJ?

AL – A parte da Polícia Civil, apesar de ampla, foi detalhada; quanto ao Ministério Público, a mesma cautela que aplicamos no Conselho de Ética de não se perder em meio a tantas informações trazidas no inquérito policial.

OD – O senhor acredita que a deputa seja a mandante?

AL – Até o presente momento o conjunto probatório é robusto. Mas caberá à defesa convencer o júri do contrário, e este terá a palavra final.

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