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Mulher morta em Copacabana negociava imóveis em comunidades

Ildecy Cardoso Xavier, morta a tiros nesta quarta-feira, respondia a processos na Justiça por não cumprir com contratos imobiliários

Rio – Assassinada a tiros na tarde desta quarta-feira, Ildecy Cardoso Xavier, de 44 anos, construía e vendia imóveis em comunidades do bairro de Copacabana. Porém, em pelo menos três ocasiões, ela não cumpriu o que havia sido firmado nos contratos de compra e venda, gerando prejuízos aos compradores, que entraram com processos judiciais no Tribunal de Justiça do Rio. As ações, que são públicas, foram consultadas pelo DIA.

Todos os imóveis alvo das ações judiciais ficam na Rua Euclides da Rocha, na Ladeira dos Tabajaras/Morro dos Cabritos. Os assuntos dos processos cíveis são: enriquecimento sem causa, promessa de compra e venda, inadimplemento e indenização por danos morais e materiais.

“Ildecy fez carreira com compra e venda de imóveis em comunidades carentes de Copacabana. Ela tinha uma construtora informal. O processo em que atuei ainda está na fase de citação, pois nunca conseguimos localizar Ildecy, que era uma pessoa ensaboada. Chegamos a procurar a delegacia de Copacabana para tentar localizá-la, mas não tivemos sucesso. Ao que parece, e isso é uma ilação que estou fazendo, alguma das pessoas que possam ter sido lesadas por ela resolveu fazer justiça com as próprias mãos”, comentou um advogado, que atuou em um dos processos.

Em uma das ações, a compradora teve que se mudar para João Pessoa, na Paraíba, após não receber o imóvel em abril de 2018, como havia sido firmado em contrato. Sem ter as chaves do empreendimento, apesar de ter pago a quantia de R$20 mil como sinal, ela não pôde prosseguir com o pagamento do aluguel da casa em que morava. De João Pessoa, ela mantinha contato constante por mensagem de celular com Ildecy que, ‘após muita insistência’, destaca a ação, devolveu R$6 mil à compradora. O valor total do imóvel havia sido negociado por R$65 mil.

Outra ação foi movida por uma mulher com idade acima de 60 anos. Ela firmou contrato com Ildecy para a compra de um imóvel no valor total de R$22 mil, situado no alto do Morro dos Cabritos. O contrato foi firmado em fevereiro de 2018, mediante o pagamento de um sinal de R$10 mil, mais o compromisso de repasse pela compradora de 17 parcelas mensais de R$700 até quitar o valor restante.

Porém, segundo a ação, as chaves do imóvel não foram entregues na data acordada, em 14 de abril de 2018, quando as obras no imóvel teriam fim. Na ocasião, segundo o processo, ela teria alegado à compradora que havia se enganado, e que o imóvel seria outro, com endereço e especificações diferentes do negociado em contrato. Meses depois, o mesmo imóvel que constava no contrato foi anunciado para venda numa página do Facebook pelo valor de R$60 mil.

Há, ainda, um outro processo movido por um homem, em agosto do ano passado. Ele havia negociado a compra de duas quitinetes em contrato firmado em agosto de 2016, no valor total de R$44 mil. O acordo previa a transferência de propriedade de dois carros para o filho de Ildecy, um Ford Ka e um Gol, mais o pagamento de R$4 mil. Porém, apesar de o comprador ter cumprido sua parte, os imóveis não foram entregues.

Polícia Civil investiga a morte

Ildecy Cardoso Xavier foi assassinada por volta de 17h desta quarta-feira, quando estava em um bar, na esquina das ruas Anita Garibaldi e Tonelero. Segundo testemunhas, uma pessoa em uma moto, usando capacete, disparou pelo menos 10 vezes contra a vítima. Na ocasião, um garçom também foi ferido.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso. Segundo a Secretaria de Polícia Civil (Sepol), a perícia foi realizada no local e testemunhas estão sendo ouvidas. Os agentes também coletaram imagens de câmeras de segurança que registraram a ação e realizam diligências para identificar a autoria do crime.

Via: O Dia
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