20 °c
Nilopolis

Milicianos da Baixada estão monopolizando venda de cestas básicas

De acordo com a Polícia Civil, os paramilitares de Nova Iguaçu ainda exploram a venda de gás, água, pontos de internet e tv a cabo

Alexander Moreira da Silva, conhecido como Nem da Posse ou Nem 38, de 26 anos, por policiais da 24ª DP (Piedade), em um condomínio de luxo, na Barra da TijucaDivulgação

Rio – Milicianos de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, estão monopolizando novas atividades empresariais para aumentar a fortuna com a exploração ilegal. Investigações da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) apontam que a venda de cestas básicas é o novo negócio dos paramilitares que atuam nos bairros da Posse, Camari, São Jorge e Luiz de Lemos.

A organização criminosa, que é composta por, pelo menos 13 integrantes, é investigada desde 2015, segundo o Ministério Público do Rio (MPRJ).

Além da venda de cestas básicas, muito comercializadas principalmente durante a pandemia da Covid-19, o bando já explorava a venda de gás, água, pontos de internet e de tv a cabo, de acordo com o MP e a Polícia Civil. 

“Eles trabalham com extorsão, roubo e “clonagem” de veículos, monopolizando atividades econômicas lícitas ou ilícitas, como distribuição de internet, gatonet, venda de cestas básicas, gás, água, entre outras coisas, sem concorrência de mercado. Essas ações ocorrem independente da existência ou não de extorsão, ainda que não existam extorsões como cobranças de taxas de segurança, sempre existirá a tentativa de monopólio sobre atividades econômicas lícitas ou ilícitas, que normalmente constituem motivação para os homicídios apurados pela especializada”, falou o delegado Uriel Alcântara, titular da DHBF.

Um dos integrantes dessa milícia é Alexander Moreira da Silva, conhecido como Nem da Posse ou Nem 38, de 26 anos, preso em 27 de abril, por policiais da 24ª DP (Piedade). Ele foi encontrado em um condomínio de luxo, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde havia acertado um valor de aluguel do apart hotel em torno de R$ 3 mil. Para a polícia, a estadia na área nobre estava sendo custeada com o dinheiro da organização criminosa.

De acordo com uma denúncia do Ministério Público do Rio, Nem da Posse integra o grupo paramilitar e é apontado como responsável por uma série de crimes cometidos pelo grupo. 

“Conforme demonstrado através da declarações da testemunha e extração das conversas de telefone, sendo responsável por praticar extorsões, sob pretexto de um suposto serviço de segurança prestado na região, pelo qual os moradores são obrigados a pagar, sob pena de ameaça ou violência, além de realiza “rondas” a fim de reprimir inimigos, e se necessário matar criminosos, usuários de drogas e ex-presidiários”, descreve o documento. 

Nem da Posse investigado por homicídios

PM Railinson de Carvalho Barbosa, foi assassinado em frente a sua empresa de internet, em Nova Iguaçu, por homens de roupa escura que saíram de um Voyage prata Divulgação

Nem da Posse foi preso em cumprimento de mandado de prisão, expedido pela 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu. Ele foi apontado como um dos autores do assassinato de Mario Fernando Oliveira Silva, em junho de 2020, na saída de um bar, na Estrada da Gama, em Nova Iguaçu.

Segundo a polícia, a motivação para o crime se deu pelo fato da vítima, no passado, ter tido envolvimento com tráfico de drogas. Mario Fernando foi atacado com tiros de pistolas calibres 9mm e .40, que o levaram a óbito ainda no local.

Além disso, o miliciano ainda é investigado em outros dois inquéritos de homicídio da DHBF. Um deles, é sobre morte do policial militar Railinson de Carvalho Barbosa, no dia 19 de março, no bairro Caiuaba, em Nova Iguaçu.

O PM estava em frente a sua empresa de internet, quando quatro homens, a bordo de um Voyage prata, chegaram atirando contra ele, por volta das 17h45. A especializada apura se o crime foi motivado pela disputa por pontos de internet, já que os milicianos não aceitam concorrências.

Nem da Posse também é suspeito de ter matado André Luiz dos Santos Luiz, no ano passado. O homem estava fazendo serviço de manutenção na calçada de sua casa, quando foi executado a tiros. A polícia acredita que o homicídio também foi motivado porque a vítima era ex-presidiária e já teve relação com o tráfico de drogas.

Miliciano é aliado de Tandera

Recompensa por informações que levem à prisão de Tandera é de R$ 1 milDivulgação / Disque Denúncia

A Polícia Civil informou que Alexander Moreira da Silva, Nem da Posse, se tornou a lider da milícia em fevereiro, após a morte de seu comparsa João Paulo Eduardo de Lima, dentro de uma pizzaria na Estrada Luiz de Lima. 

Segundo o MP, João Paulo, que era conhecido como JP, era um dos braços financeiros do grupo, controlando a venda de água e gás na região, além de exercer agiotagem. 

Com a liderança, Nem passou a ter contato direto e ser um dos homens de confiança Danilo Dias Lima, o Tandera, um dos milicianos mais procurados do Estado do Rio. O bando de Tandera apoiou a invasão às comunidades da Dezoito e do Urubu, no Rio, controladas por traficantes do Comando Vermelho (CV), no final de janeiro.

Na ocasião, quatro paramilitares, oriundos de Nova Iguaçu, foram presos pela Polícia Militar com três fuzis e duas pistolas.

Próximo Post