Jacarezinho: Polícia diz que corpos foram liberados do IML

Um relatório de operação no Jacarezinho aponta: dos 27 mortos, apenas 12 tinham anotações por tráfico

Operação na comunidade do Jacarezinho, Zona Norte do RioReginaldo Pimenta / Agência O DIA

Rio – A Polícia Civil informou, na noite desta quinta-feira, que os corpos dos 27 mortos durante a operação no Jacarezinho, Zona Norte do Rio, foram liberados do Instituto Médico Legal (IML) nesta segunda-feira. Um relatório formulado pela Inteligência da Polícia Civil ao qual O DIA teve acesso aponta que dos 27 mortos durante a ação policial, três não tinham passagem pela polícia e doze não tinham anotações por tráfico, mas por outros crimes.

Entre os mortos, três não tinham anotações criminais: Diogo Barbosa Gomes, que chegou a ser notificado em um procedimento por desacato a policiais em 2014 e 2015; Natan Oliveira de Almeida não tinha nenhuma passagem pela polícia. Em depoimento, um parente disse que descobriu que Natan estaria trabalhando para o tráfico do Jacarezinho havia três meses. Já Caio da Silva Figueiredo, 17 anos, era da cidade de Paracambi e não tinha antecedentes. Em depoimento, uma familiar informou que ele era usuário de drogas e havia se mudado para a comunidade há poucos meses.

Outros 12 mortos tinham passagens por outros crimes como furto a transeunte, roubo, uso de entorpecente, porte ilegal de armas e ameaça. Um dos mortos tinha uma passagem por tráfico quando adolescente: Raí Barreiros de Araujo.

Corpos de 24 mortos foram removidos do Jacarezinho sem perícia

Um registro de ocorrência sobre a operação da Polícia Civil no Jacarezinho, que aconteceu na última quinta-feira (6), mostra que 24 dos 27 corpos de suspeitos foram removidos da comunidade sem perícia. No fim deste sábado (8), quatro dos seis homens presos no local falaram em depoimento que foram obrigados a levar corpos de suspeitos mortos para dentro de blindados da Polícia Civil.

Os suspeitos disseram também que foram submetidos a agressões. A instituição informou que o fato será apurando internamente.
As mortes teriam acontecido em pelo menos 10 diferentes regiões da comunidade. Os dados foram extraídos dos 12 registros de ocorrências feitos pela polícia. Em apenas um local, foram contabilizados sete óbitos de suspeitos.

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