Homem negro denuncia mercado na Zona Oeste do Rio após ser revistado: ‘Fui julgado como ladrão’

Leonardo Nunes, de 30 anos, foi abordado por seguranças quando abriu a mochila para pegar seu celular. Ação dos seguranças foi filmada pela namorada dele. O Prezunic ainda não se pronunciou sobre o ocorrido

Rio – Um casal denunciou a unidade do Prezunic de Realengo, na Zona Oeste do Rio, por falsa acusação de furto na tarde desta quinta-feira. Segundo Kimberly Silva, seu namorado, Leonardo Nunes, teria pegado o próprio celular da mochila para ativar o aplicativo de descontos e, após pagarem por suas compras, foram abordados por dois seguranças, que alegaram que eles teriam aproveitado o momento para esconder alguns produtos e os revistaram. O rapaz revistado é negro.

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— Jornal O Dia (@jornalodia) July 30, 2021

“Estávamos na sessão do leite condensado quando pegamos um que estava na promoção no aplicativo do Prezunic. Meu namorado abriu a mochila para pegar o celular e baixar o app e continuamos nossas compras normalmente. Pagamos tudo e, quando estávamos saindo, fomos obrigados a voltar para o mercado para sermos revistados”, contou a jovem.

Ainda segundo Kimberly, os agentes justificaram a conduta agressiva como uma resposta à jovem, que se descontrolou durante o constrangimento. “Infelizmente eu me alterei, porém foi por conta do constrangimento, nunca na minha vida achei que passaria por coisa parecida. Meu celular descarregou e não consegui terminar a gravação. Antes de sairmos do mercado, após a revista, meu namorado perguntou se esse era o procedimento de abordagem deles e se não iriam se desculpar. Eles disseram que como eu me alterei, ficaria “elas por elas”, que eles não iriam pedir desculpas nenhuma”.

O vendedor, de 30 anos, contou ao O DIA que chegou a passar mal durante a noite por conta do ocorrido. “Fui para casa e todo mundo falou que isso era errado, que não poderia ter acontecido. Acabei indo à delegacia para registrar um boletim de ocorrência”.

Leonardo ainda disse que é ex-funcionário do estabelecimento e que nunca imaginou que passaria por uma situação dessas.

“Mesmo nascido e criado em comunidade, sempre procurei estudar e correr atrás dos meus direitos. Nunca esperava passar por isso, até porque, sempre vi na televisão as pessoas passarem por isso, e nunca achei que poderia ser uma vítima também. Ainda mais em um mercado que eu fui funcionário, eles têm todos os meus dados, meus registros, e eu tô ali toda semana. Então, esses rapazes que me abordaram já devem estar cansados de me ver. Eu não fico reparando em quem trabalha ou não ali. Para mim, foi totalmente irregular o que fizeram. O tempo todo eu perguntando para eles o que tinha acontecido, o motivo deles estarem fazendo isso comigo e não falaram nada”, desabafou.

“No meu modo de ver, acredito que eu fui julgado como ladrão, sim. Primeiramente pela minha cor e segundo pelas roupas que estava vestindo. Não creio que uma pessoa de cor branca de boné, casaco e mochila seria abordada na porta de um supermercado com a notinha fiscal para revistar suas coisas. Todo mundo sabe como são as prejulgamento no Brasil”, indignou-se.

O caso foi registrado na 33ºDP (Realengo) como constrangimento ilegal, que consta no artigo 146 do Código Penal. De acordo com a lei, os infratores podem pegar detenção de três meses a um ano, ou multa.

Procurado, o Prezunic ainda não se pronunciou sobre o caso.

Via: O Dia
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