Famílias não acompanharam buscas por acreditar que meninos desaparecidos estejam vivos

A Defensoria Pública e a OAB estiveram no Rio Botas representando os familiares. Uma ossada foi encontrado pelos bombeiros

Rio – Mães e familiares dos meninos desaparecidos em Belford Roxo optaram por não acompanhar as equipes de mergulhadores do Corpo de Bombeiros nas buscas pelo Rio Botas, no bairro São Bernardo, nesta sexta-feira. De acordo com a defensora pública Gislaine Kepe, pertencente ao Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio, as famílias acreditam que Lucas Matheus, de 9 anos, Alexandre Silva, de 11 e Fernando Henrique, de 12, estão vivos e que esse não será o desfecho desta longa investigação.

Eles estão desaparecidos desde o dia 27 de dezembro e foram vistos pela última vez em uma feira do Bairro Areia Branca, também em Belford Roxo. Nesta manhã, os mergulhadores encontraram um saco preto com ossos dentro do Rio Botas, no bairro São Bernardo. A Polícia Civil acredita que ossada seja humana, mas apenas a perícia feita em laboratório poderá confirmar.

A Defensoria Pública e a Ordem dos Advogados do Brasil estiveram no local representando as famílias dos meninos. “A família não esteve presente pois esse é um momento muito cruel com as mães e parentes que guardam esperanças de encontrá-los vivos”, explicou a defensora.

Lucas, Alexandre e Fernando desapareceram em dezembro do ano passadoLuciano Belford/Agencia O Dia

De acordo com Gisele, a denúncia feita por um homem que informou que os restos mortais das crianças foram jogados por seu irmão no rio está mal explicada. “Essa denúncia veio após sete meses do desaparecimento, chegou a partir de um denunciante que chegou à delegacia sem nenhum motivo aparente e com uma historia que precisa ter uma avaliação mais contundente. O próprio delegado disse que além das buscas de hoje, novas diligências serão feitas”, disse.

Em uma análise prévia, o perito criminal Arthur Couto que esteve no local disse que o material passará por uma avaliação, mas parece se tratar de pedaços de coluna e costela. Também foi encontrado fios que pareciam ser de cabelo humano. O material vai passar por um exame de DNA e não há previsão para o resultado até o momento.

Testemunha disse que irmão jogou corpos no Rio

Na quarta-feira, uma testemunha relatou que o seu irmão, um traficante de 22 anos, teria participado das mortes dos meninos Lucas Matheus, 9 anos, Alexandre Silva, 11, e Fernando Henrique, 12.

Em depoimento, ele contou que os garotos teriam sido espancados e mortos por ordem do traficante José Carlos dos Prazeres Silva, conhecido como Piranha ou Cem, no interior do condomínio Amarelo, que fica dentro da comunidade do Castelar, em Belford Roxo.

A polícia conseguiu o depoimento do irmão dele, que negou as acusações, mas admitiu ter jogado sacos entregues por traficantes no rio.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

Via: O Dia
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