Falta de doses da CoronaVac interrompe vacinação em dez municípios da Região Metropolitana do Rio

A população vive o drama de ter a sua proteção atrasada até que novas unidades da vacina cheguem no estado do Rio.

A população pode consultar qual grupo está sendo convocado para a imunização através dos sites da prefeitura de sua cidadeImagem Arquivo

Rio – Dez municípios da Região Metropolitana do Estado do Rio suspenderam a aplicação da segunda dose da CoronaVac devido a falta de unidades nesta quarta-feira (12). Na capital, os estoques do imunizante estão no limite e a campanha pode ser interrompida até quinta (13) se não houver novas remessas. A escassez da vacina tem prejudicado o planejamento da imunização no estado. O governo deve receber e distribuir um novo lote até quinta-feira (13), reabastecendo as prefeituras.

Os dez municípios que interromperam a vacinação com a segunda dose da CoronaVac são: Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Japeri, Nilópolis, Itaboraí, Guapimirim, Mesquita e Magé. A distribuição da primeira dose continua sendo feita por todos com unidades do imunizante Oxford/AstraZeneca.

Até que novas unidades da vacina CoronaVac cheguem no estado do Rio de Janeiro, a população vive o drama de ter a sua proteção atrasada, o que confere a possibilidade de redução da imunidade global contra a covid-19. A recomendação descrita na bula do imunizante é que a segunda dose seja aplicada em até 28 dias após a primeira vacinação. 

Uma pessoa que vive essa situação é Luiz Antônio Teixeira. Ele tem 64 anos, é morador de São Gonçalo e disse que a sua segunda aplicação da CoronaVac estava marcada para a última quinta-feira (6), mas até o momento a prefeitura não possui doses.

“Todo dia é a mesma coisa, eu mando mensagem para prefeitura e recebo aquela resposta automática explicando que não tem doses. Eu me sinto mal, inseguro, eu estou dentro do grupo de risco, sou diabético, hipertenso e não tenho nenhum apoio do município. Eu não recebo nenhuma satisfação sobre quando vão chegar as novas doses”, afirmou.

 

Maria do Carmo, também moradora de São Gonçalo, passa pelo mesmo problema e afirmou estar descrente da vacinação no país. Ela aguarda a sua segunda dose e disse se sentir presa em casa.

“Eu não acredito mais em política nenhuma no Brasil. Eu estou muito descrente com tudo, muito insatisfeita. Me sinto completamente insegura, pois a primeira dose garante uma certa imunidade e a segunda completa o restante. É uma situação complicada, porque mesmo usando máscara, álcool em gel e me cuidando, não fico com garantia de me sentir segura, continuo ficando com a sensação de estar presa dentro de casa”, desabafou.

Em Nilópolis, uma pessoa que não quis se identificar mencionou o drama de sua mãe, que aguarda a segunda dose da CoronaVac desde o dia 28 de abril.

“Minha mãe está totalmente desanimada. Ela está ansiosa, diz que vai desistir se não conseguir tomar a segunda dose essa semana. Ela mora perto do posto e foi várias vezes na unidade para tentar receber o imunizante. Depois de tantas tentativas ela conseguiu o telefone da unidade e liga para lá todos os dias na busca de saber quando vai chegar a CoronaVac, por enquanto ainda não temos”, disse.

O Instituto Butantan afirmou em nota que enviou na manhã desta quarta-feira (12) para o governo federal uma nova remessa com 1 milhão de doses, concluindo o primeiro contrato firmado com o Ministério da Saúde em 7 de janeiro. No total, foram entregues 46,112 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunização (PNI). Na sexta (14), mais 1,1 milhão de unidades devem ser enviadas.

O governo estadual deve receber um novo lote até quinta-feira (13) entregue pelo PNI, mas não há um número definido sobre a quantidade de doses a ser destinada ao estado. Os municípios da Região Metropolitana mencionaram que estão recebendo valores insuficientes da CoronaVac, o que não permite uma retomada definitiva da vacinação para a segunda aplicação.

A prefeitura de Nilópolis é quem enfrenta uma das situações mais graves. A vacinação com a segunda dose da CoronaVac está suspensa desde o dia 3 de maio na região devido a falta de unidades. O único município da Região Metropolitana que afirmou estar em dia com a segunda aplicação foi Queimados.

O governo do estado orientou que a população aguarde pela segunda dose em seus próprios municípios até que possam receber o imunizante. A capital do Rio e diversas prefeituras da Região Metropolitana não permitem a vacinação de moradores de outras cidades e exigem comprovante da primeira vacinação feita na própria localidade.

*Estagiário sob supervisão de Gustavo Ribeiro

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