Dilema dos pais: dar palmada ou não?

Através da Disciplina Positiva, pais estudam como podem criar seus filhos, promovendo o diálogo, sem permissividade, fugindo do antigo padrão que a 'palmada educa e um tapinha não faz mal'

Vinícius Cardim e a mãe Elisa Moreira com o filho Henrique Moreira Cardim. Eles dizem que atualmente é mais difícil educar Luciano Belford/Agencia O Dia

Rio – Reprender o filho com uma palmada é a medida certa? O DIA ouviu mães, pais e estudiosos sobre o assunto. Através da campanha #umtapinhadoisim, a proposta da consultora de Disciplina Positiva e Neurociência, Kate Amaral, o melhor caminho é fugir do divulgado por muitos, ou seja, que a “palmada educa e que um tapinha não faz mal”.

“A ameaça e a agressão ainda são consideradas educativas para muitos pais e, infelizmente, são aceitos culturalmente. Mas isso já é comprovado cientificamente que causa prejuízos emocionais e psicológicos. A palmada que um pai dá hoje pode formar um adulto ansioso, com problemas no sono, com medo e transtornos sociais. Quando você agride ou ameaça uma criança, ensina que assim que se resolve os problemas, com violência”.

Segundo a consultora da 1Manas, as punições e ameaças resolvem no curto prazo, mas não preparam essa pessoa para o futuro. Ela aponta outra forma de educar os filhos, usando as ferramentas da Disciplina Positiva.

“É preciso que a criança seja respeitada, que ela entenda as consequências das suas atitudes. Se ela derrubar leite no chão, a consequência é que ela limpe o chão. E não ficar de castigo ou levar um tapa. Se ela tirar notas baixas, a consequência será que ela terá que estudar mais e não ficar de castigo ou apanhar por isso. São consequências com lógicas. A agressão, no fim das contas, é apenas uma válvula de escape da raiva e do estresse do adulto por aquela situação”.

Mãe da pequena Morgana, de apenas 6 anos, a doula Suzanne Miranda é adepta do novo modelo.

“Desde que ela nasceu, procuramos interagir com outras famílias que pensam na mesma forma de criação que a gente. Participamos de fóruns online, lemos livros, ouvimos podcasts e, claro, ouvindo nossa pequena, que de longe é a nossa melhor escola”.

O contabilista Vinícius Cardim, pai de Henrique Moreira, de 2 anos, diz que a violência nos dias atuais é um medo recorrente.

“Os pais vivem a doce ilusão de blindar o filho de tudo que for ruim aos nossos olhos, mesmo sabendo que criamos eles para o mundo e que a vida é feita de momentos e escolhas ruins e boas todos os dias”, comenta.

Disciplina positiva evita o conflito e trabalha com afeto e o respeito

A metodologia da Disciplina Positiva é um caminho indicado para os pais educarem seus filhos, sem punição ou controle, mas também sem permissividade. “Os pais hoje pesquisam enxoval, parto e amamentação. Precisam também estudar como criar os filhos. A disciplina positiva é ótima para isso porque ela conta com 52 ferramentas que podem evitar e resolver conflitos por meio da criação com afeto e respeito mútuo”, diz a consultora Kate Amaral, da 1Manas.

Elisa Moreira, mãe de Henrique, afirma que educar uma criança nos dias de hoje parece ser uma realidade mais difícil do que antigamente. “Principalmente por conta da internet e o aparelho celular. O mesmo local aonde se encontra o conteúdo que ajuda a criança a desenvolver, também leva ela a ficar ‘bitolada’ se não entender que há um limite diário para o uso dele, como há para os brinquedos, para passear, para comer e para tomar banho”.

Suzanne Miranda comenta que não tem dificuldade em conversar com a filha. “Por incrível que possa parecer, não tivemos dificuldades em dialogar com ela sobre nenhum assunto”, revela.

Redes sociais são desafios para os pais

O dilema da utilização das redes sociais também é um empecilho na educação que os pais dão para os filhos. Kate Amaral, consultora de Disciplina Positiva, defende que ao permitir que a criança participe das escolhas e das decisões, ela tende a colaborar muito mais.

“Os pais precisam saber o que os filhos estão vendo. Assistir junto mesmo e conversar sobre os programas. Um outro ponto a ser considerado é que os pais precisam ser o exemplo. Não espere que o seu filho te dê atenção quando está usando o celular se você faz o mesmo com ele. Se os pais ficam o tempo todo no celular a criança aprenderá que precisa passar o tempo dela dessa forma”, garante.

“O que mais me preocupa até hoje é explicar a maldade das pessoas e crueldade que alguns seres humanos podem ter. Explicamos muito a ela sobre consentimento, sobre os limites do corpo dela e tudo mais”, diz Suzanne Miranda, mãe da Morgana.

Kate Amaral aponta que os pais precisam fazer a parte deles independente dos outros. “Não podemos interferir no mundo, mas interferimos como a criança se coloca no mundo”, afirma.

Via: O Dia
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