Delegado preso nega denúncias feitas pelo Ministério Público

Maurício Demétrio, antigo titular de delegacia que combate a pirataria, foi denunciado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) por ser o 'capo' de um grupo que cobrava R$ 250 semanais para não atuar contra comerciantes de produtos piratas

Rio – O delegado titular da Delegacia do Consumidor, Maurício Demétrio, preso por comandar um suposto esquema de propina, chegou por volta do meio-dia desta quarta-feira (30) à sede da Corregedoria da Polícia Civil, no Centro, e negou todas as acusações. Demétrio foi denunciado pelo Ministério Público por ser o ‘capo’ de um grupo de policiais civis que cobrava R$ 250 por semana para proteger comerciantes de produtos falsos da Rua Teresa, em Petrópolis, justamente à época em que era titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que combate a pirataria.

Na denúncia oferecida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), Demétrio é suspeito de ter desencadeado uma “operação fake” para incriminar o delegado Marcelo Machado, da Corregedoria, justamente quem investigava a cobrança de propinas da DRCPIM em Petrópolis.

“A diligência que o Gaeco me acusa de ser retaliação foi mandado pelo Ministério Público. Não existe nada forjado, se fosse forjado aquelas camisas não estavam lá”, diz Demétrio, em referência aos produtos apreendidos na operação mencionada – camisetas confeccionadas pela empresa de Marcelo Machado, consideradas produtos falsos. Demétrio foi preso na manhã desta quarta, em casa. Na ação, agentes encontraram grande quantia de dinheiro empacotado, além de carros.

“O dinheiro foi declarado no Imposto de Renda, inventariado, meus carros foram comunicados à Corregedoria. Foi uma retaliação, com certeza, capitaneada pelo Gaeco. Vou recorrer à Justiça. A Justiça resolve”, afirmou Demétrio.

Até a última atualização da reportagem, seis prisões já haviam sido realizadas, entre elas a do delegado, a de um perito criminal e a de três policiais civis. O objetivo da operação do Ministério Público é cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão, alguns na própria DRCPIM, na Cidade da Polícia.

Segundo o Ministério Público, o esquema ocorreu entre março de 2018 e março de 2021, quando Maurício Demétrio era o titular da DRCPIM. O delegado e outros policiais civis exigiam dos lojistas da Rua Teresa, em Petrópolis, o pagamento de propina de R$ 250 semanais e outras vantagens indevidas para permitir que continuassem a venda de roupas falsas. A Rua Teresa é conhecida pelo comércio popular na Região Serrana.

O esquema criminoso era dividido por dois núcleos: um agia em Petrópolis e era responsável por ameaçar diretamente os lojistas e recolher os valores cobrados. Este era formado por Alex Sandro Gonçalves Simonete, Ana Cristine de Amaral Fonseca e Rodrigo Ramalho Diniz, comerciantes na Região Serrana. No Rio, Ricardo Alves Junqueira, advogado, e Alberto Pinto Coelho também foram denunciados pelo MP.

O outro núcleo era formado pelos policiais civis, que cumpriam diligências policiais contra determinados lojistas como “forma de represália” a quem não pagasse a propina, segundo o Gaeco, subvertendo “a estrutura da Polícia Civil em instrumento de organização criminosa”. Celso de Freitas Guimarães Junior, Vinicius Cabral de Oliveira, Luiz Augusto Nascimento Aloise são os policiais civis denunciados, junto com o perito criminal José Alexandre Duarte e o delegado da Decon, Maurício Demétrio.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que “a Corregedoria já possui procedimentos abertos sobre este caso e solicitará informações ao Ministério Público sobre a operação de hoje para juntar nas investigações”.

Via: O Dia
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