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Aulas presenciais voltam em 85% das escolas municipais; profissionais da educação criticam

Sindicato e educadoras relataram ao DIA que retomada pode ser perigosa para profissionais, alunos e familiares

Sala de aula em escola municipal do RioEstefan Radovicz / Agência O Dia

Rio – Mais 266 unidades escolares da rede municipal de ensino retomaram as atividades presenciais nesta terça-feira, 11. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME), ao todo, são 1.309 unidades — o equivalente a 85% — atendendo presencialmente 140 mil estudantes do berçário ao ensino de jovens e adultos matriculados na rede municipal do Rio. A SME ainda não respondeu o número total de alunos que compareceram às aulas neste terça-feira. Apesar do retorno ser opcional para os alunos, a decisão é criticada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ). Diretora do Sepe, a professora Duda Quiroga acredita que a retomada das aulas presenciais é perigosa para os profissionais da educação, alunos e familiares. 

“A gente entende que os profissionais da educação precisariam estar vacinados, mas também que os índices de contaminação precisam estar melhores no nosso estado, principalmente na nossa cidade, coisa que não está acontecendo. A gente ainda tem UTIs lotadas e tudo mais. Muitos [profissionais da educação] estão pegando covid, muitos estão morrendo”, apontou a professora, que citou um memorial criado pelo Sindicato em homenagem aos que morreram vítimas da covid-19.

De acordo com a SME, as atividades presenciais só serão retomadas em unidades educacionais que têm condições de seguir os protocolos sanitários estabelecidos. “É considerada apta ao retorno das aulas presenciais a Unidade Escolar que estiver adequada aos itens do checklist sobre insumos e instalações, que estabelece pontos diversos como: distanciamento de 1,5m entre as carteiras; instalações de dispensadores de álcool 70º em gel no prédio ou funcionário aplicando álcool 70º na mão dos alunos, e, entre outras medidas, bebedouros adaptados com torneira para enchimento de copos e garrafas”, afirmou a secretaria, em nota. 

Apesar disto, Quiroga denuncia que a Prefeitura do Rio não disponibilizou “condições materiais” para a retomada, como a distribuição de Equipamentos de Proteção Individuais adequados para todos. “Vale dizer também que os EPIs que chegam nas unidades não são iguais para todos os profissionais, estão diferenciados professores, de agentes da educação, de merendeiras. Essa é uma outra coisa importante da gente falar. Além da gente enfrentar a dificuldade que as turmas não estão com número tão reduzido de crianças assim porque equivale a um terço das turmas, mas se tem 40, a turma já é bem cheia. A gente vê aglomeração na entrada e na saída das escolas”, criticou.

A educadora A., que preferiu não ser identificada, contou que as atividades presenciais serão retomadas na unidade educacional em que trabalha na próxima segunda-feira. “A direção [da escola] não tem dinheiro para comprar os EPIs. Pelo protocolo sanitário, a escola teria que ter esse material vindo da prefeitura, mas nós não temos. Cada um [dos professores] vai levar sua máscara. Eles só mandaram o álcool em gel, mas os totens a escola está tendo que comprar. Avental, se quisermos usar, nós vamos ter que comprar. Enfim, a gente vai voltar, mas vamos ter que gastar por nossa conta”, relatou.

Trabalho duplicado

Com o ensino híbrido, já que nem todos os alunos irão comparecer ao retorno do ensino presencial, os professores têm a obrigação de constantemente postar as tarefas na plataforma Rioeduca. Com isso, os profissionais da educação acumulam as funções do trabalho presencial, com o dia a dia na escola, e do remoto. A professora L., que também não quis se identificar, contou que a rotina como educadora ficou ainda mais cansativa. 

“Além de planejar, publicar as aulas, dá-las no presencial, receber e comentar as devolutivas do remoto, temos que fazer portifólios, planilhas, busca ativa dos responsáveis que não estão em contato com a escola e mais uma infinidade de coisas que excedem e muito, a carga horária e função do magistério. Além de toda essa pressão, o trabalho literalmente invadiu nossa casa. Com o contato mais próximo com os responsáveis, alguns com nosso telefone pessoal, somos solicitadas por eles durante todo o dia, noite e fins de semana. A gestão das escolas também nos enviam tarefas, pedidos e informações fora do horário de trabalho. O resultado disso? Muita terapia, problemas para dormir e problemas de saúde”, disse.

Apesar de trabalharem em escolas diferentes, A. tem uma rotina parecida com a de L. Assim como muitos profissionais da educação, ambas as educadoras tem apenas um desejo: ter acesso à vacina contra a Covid-19. “Acredito que poderíamos esperar a vacina, pois são crianças bem pequenas. Precisamos voltar para o grupo prioritário [de vacinação]. O eixo norteador da educação infantil é a interação, a brincadeira e se neste momento não pode ser realizada, qual a função deste retorno? Se não pode haver a troca, o compartilhamento, deveríamos esperar”, constatou A.

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