Associação de Doulas realiza ato pelo funcionamento da Maternidade Maria Amélia, no Centro

De acordo com a associação, os partos foram interrompidos por falta de insumos e medicamentos. A troca de administração das Organizações de Saúde (OS) na unidade causou a escassez dos insumos necessários para os atendimentos

Rio – A Associação de Doulas do Rio de Janeiro (ADoulas-RJ) realiza, nesta sexta-feira, um ato na Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no Centro do Rio, por conta da interrupção dos partos na unidade. A associação relata que o atendimento foi drasticamente reduzido e os partos foram interrompidos por falta de insumos e medicamentos. Ainda segundo os responsáveis pelo ato, a troca de administração das Organizações de Saúde (OS) na unidade causou a escassez dos insumos necessários para os atendimentos.

A Organização Social que era responsável pela gestão da unidade adquiria e disponibilizava os recursos e medicamentos para a maternidade. Com o novo modelo de gestão, os recursos utilizados são dados diretamente pela Secretaria Municipal de Saúde, não mais pela OS. Com a mudança no contrato, houve queda nos insumos, que ocasionou a diminuição do número de partos.

“As grávidas que estavam agendadas não estavam sendo atendidas, só estavam atendendo as que chegam em urgência e que percebiam que não era possível uma transferência. A unidade não está funcionando no seu habitual por causa dessa falta de insumos, por essa questão de troca de administração. A resposta da Secretaria Municipal de Saúde é que a maternidade está funcionando, mas quando você vai lá, você vê que não está. Então parece que ontem [quinta] chegou uma parte muito pequena de insumos, mas não dá para normalizar as atividades ainda”, explicou Carol Lobão, diretora de Relações Institucionais da ADolas RJ.

Carol explicou que um dos pontos que o ato questiona é a falta de previsão para que a situação se normalize na unidade. “O ato também tem objetivo que a situação não ultrapasse isso. Já é um absurdo chegar nesse ponto. E quando você vê que não existe uma data para que isso normalize, o nosso medo é que não seja mais resolvido”, desabafou ela.

Na quarta-feira (30), a presidente da ADolas RJ e as vereadoras Tainá de Paula (PT-RJ), e Thaís Ferreira (Psol-RJ) estiveram na unidade. Nas redes sociais, a parlamentar Thais informou que protocolou um ofício na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para a aquisição de insumos.

“A maternidade está enfrentando a falta de atendimento devido a ausência de insumos, gerada com a mudança de contrato da nova administração. É urgente uma resposta da Secretaria de Saúde do Município. Precisamos saber qual a previsão de entrega desses insumos para o retorno dos atendimentos”, escreveu Thaís.

Maternidade com política de parto humanizado

Em entrevista ao DIA, Carol Lobão também reforçou que a Maternidade Maria Amélia tem um papel importante para a capital fluminense, sendo a segunda que mais realiza partos no Rio de Janeiro e a única com uma política de atenção humanizada. “A gente tem pessoas de Niterói, de outros lugares que vem parir aqui, temos relatos de pessoas da Região dos Lagos, de lugares mais afastados que alugam apartamentos ou hotéis por perto para conseguir parir na maternidade. A gente tem um grande número de pessoas que tem plano de saúde, mas que abre mão e vai parir na Maria Amélia. É uma maternidade muito importante”, contou ela.

A proposta da maternidade é a prestação de uma assistência humanizada para as gestantes. Por isso, a unidade utiliza métodos não farmacológicos para alívio da dor durante o trabalho de parto, como massagens, banhos quentes, aromaterapia, entre outros, e revisa constantemente os processos de trabalho para a manutenção do padrão de qualidade da assistência.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a unidade está em transição contratual para um novo modelo de gestão. “O contrato foi licitado a partir de um projeto base na gestão anterior, em que a OS é responsável pela contratação dos recursos humanos e a administração direta fica responsável pelo abastecimento e contratos”.

Ainda de acordo com a SMS, a porta de entrada da unidade e a maioria dos serviços estão funcionando normalmente, mas, enquanto durar o trâmite da transição, os casos eletivos serão transferidos para outras maternidades. 

“Não há nenhuma intenção da Secretaria Municipal de Saúde em fechar ou suspender os serviços na unidade”, reforçaram em nota.

*Estagiária sob supervisão de Adriano Araújo

Via: O Dia
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