quinta-feira, 28 de outubro de 2021
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Amigos são baleados em moto por policiais civis a caminho do trabalho em São Gonçalo

Márcio de Oliveira Pinto, de 37 anos, e Vinícius de Almeida Gomes, 34, foram baleados no joelho na manhã desta sexta-feira durante abordagem policial

Rio – Dois amigos foram baleados por policiais civis em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, durante uma abordagem enquanto estavam em uma motocicleta indo trabalhar na manhã desta sexta-feira (30). Segundo familiares, eles se assustaram e não pararam diante da ordem dos agentes. Os dois foram socorridos ao Hospital Estadual Alberto Torres, no Columbandê, mas já receberam alta. Márcio de Oliveira Pinto, de 37 anos, e Vinícius de Almeida Gomes, 34, foram baleados no joelho.

Márcio conta que pegou uma carona com o amigo de infância Vinícius, que trabalha como motoboy em uma farmácia no Arsenal, até o ponto de ônibus para seguir para o trabalho, em uma loja de ótica em Alcântara. Por volta das 8h40, os dois ficaram entre duas viaturas da Polícia Civil e foram abordados. O condutor, Vinícius, no entanto, não parou o veículo durante a abordagem e um policial efetuou os disparos. Márcio caiu da moto e Vinícius bateu em um carro à frente.

“O cara saiu mandando eu parar. Foi nesse momento que eu tomei um susto e acelerei. Bati com a moto e saí correndo. Tomei um susto, não sabia o que estava acontecendo. Dava para eles entrarem na minha frente e mandar parar, não precisava ter atirado”, lembra Vinícius.

Motoboy em uma farmácia durante a manhã, Vinícius completa a renda durante a tarde como mototaxista. Ele estava de férias, mas continuava trabalhando. Pai de quatro filhos, ele tenta juntar dinheiro para comprar uma casa própria para sua família. Com o ferimento, o que mais lhe preocupa é ficar sem trabalhar.

“Estou com a bala alojada no joelho ainda. Tenho que ficar deitado sem me mexer. O negócio é meu trabalho. Tenho que pagar aluguel. Meus familiares ficaram abalados. Isso nunca aconteceu comigo. Trabalho na farmácia de carteira assinada”, diz o motoboy.

Os amigos não entendem porque houve disparo na abordagem e comentam que o policial aparentava estar nervoso.

“Estava frio e estávamos de casaco, gorro, luva, não sei se estranharam isso. “Até agora eu não entendi o que aconteceu. Graças a Deus eu não sofri nenhum tipo de fratura aparente. A questão é a dor que sinto. Eu nunca passei nada por isso. Estou dando graças a Deus porque estou bem. A família que sente mais. É uma experiência que eu não desejo para ninguém”, desabafa Márcio.

O irmão de Márcio conta que foi à delegacia saber o que havia acontecido com o irmão. “O policial contou que atirou porque tinha visto um volume. Mas não viu arma, não viu nada. Não deveria abrir fogo, vai que o tiro pega na cabeça. Não se faz abordagem deste jeito”, critica. A família pretende processar o Estado pelo ferimento. 

Márcio foi socorrido pelos agentes ao Hospital Alberto Torres, e Vinícius, foi socorrido pela mãe. Os jovens denunciam que os policiais civis não avisaram aos policiais militares de permanência no hospital sobre o ocorrido. “Quando chegaram no hospital, tinham que ter avisado ao PM sobre o disparo de arma de fogo. Não avisaram. Largaram meu irmão na porta do hospital, manobraram e foram embora”, conta.

Márcio e Vinícius se recuperam em casa e precisaram comprar remédios de até R$ 150 para o tratamento.

A reportagem tenta contato com a Polícia Civil, mas ainda não obteve retorno.

Via: O Dia

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