Alerj debate transformar o Canecão em espaço cultural multiuso

Local também pode ser dedicado à memória da música popular brasileira

Discussão pretende estabelecer termo de cooperação técnica e financeira entre a Alerj e UFRJEstefan Radovicz / Agência O Dia

Rio – A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) realiza discussão única nesta terça-feira (11) sobre o projeto de lei que autoriza a Alerj a celebrar termo de cooperação técnica e financeira com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para reformar e reabrir o Canecão, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, como espaço cultural multiuso e centro de memória da música popular brasileira. A parceria deve ser firmada por meio de uma norma específica a ser editada.

“O Canecão tem oportunidade de ser devolvido à sociedade fluminense. É um palco que recebeu inúmeros artistas de diferentes gêneros e estilos da música brasileira. Nada mais justo que seja convertido em um espaço cultural multiuso e de memória da MPB, uma página das mais importantes de nossa cultura”, afirmou o deputado estadual Waldeck Carneiro (PT), autor original da proposta e presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Alerj.

O projeto tem coautoria do presidente da Casa, André Ceciliano (PT), além de Eliomar Coelho (PSOL) e Flávio Serafini (PSOL). Inaugurado em 1967, o Canecão era uma cervejaria, mas logo se tornou uma das principais referências nacionais para espetáculos de médio e grande portes. O espaço foi o palco que consagrou e revelou nomes da música popular brasileira, como Ellis Regina, Maysa e Chico Buarque e Elymar Santos, que chegou a pagar para se apresentar no local.

Proprietária do imóvel, a Universidade conseguiu a reintegração de posse em 2010. Mas, somente em 2013 foi autorizada a usar plenamente o prédio. Até então, a universidade era obrigada a fazer a guarda de bens deixados no local pelo detentor da marca Canecão, Mário Priolli, já falecido.

Primeiro, a UFRJ investiu na recuperação do telhado do Canecão e na manutenção predial. Depois, passou à preservação da obra “A Última Ceia”, do cartunista Ziraldo. O painel, pintado em uma das paredes do prédio em 1967 tem 32 metros de comprimento por 6 de altura, e é considerado um dos maiores do gênero no país. Durante anos, a obra ficou escondida atrás de tapumes. O trabalho de preservação do painel é acompanhado pela Escola de Belas Artes e Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ.

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